André Coruja's profileO Meio do MundoPhotosBlogLists Tools Help

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    July 31

    Recompensa

    Quando somos pequenos

    Temos medo do escuro,

    Do colega mais forte,

    Do homem mau,

    De fantasmas e monstros...

    Mas há sempre alguém pra dizer “não tema”

     

    Quando somos jovens

    Não dosamos o que achamos ser razão

    Gritamos com os pais

    Brigamos com amigos

    Choramos a perda do grande amor da vida toda

    E choramos outras coisas

    Mas, na camisa-de-força do mundo,

    Alguém se liberta e estende a mão

     

    A gente acha que amadurece

    Aprende a lidar com a emoção

    No peito, a solidez de uma rocha

    E viramos a própria solidão
    July 30

    Catarata

    Acho que eu preciso usar óculos quadrados

    Pra traçar uma moldura e limitar o olhar

    Escolher uma das lentes que reflita a escuridão

    E ter sempre dois quadros com a mesma visão

    Serei, então, um visitante de alguma exposição

    Verei partes de um todo com a mesma opinião

    E o todo como arte de alguma geração

    Que não quer ser retratada em quadros futuristas

    Que não quer influenciar novos artistas

    Não é nem por orgulho de sua manifestação

    É porque estão matando as vias de inspiração

    Os grandes artistas ainda estão por vir

    Pois não haverá nada para representar

    Estes, sim, criarão o mais difícil: o extinto

    Entre as trevas e a névoa, fico com a vista cansada
    July 27

    FLUTUA

    É...

    Eu vi o mar

    Mas acho que ele não me viu

    Me levou pra lá

    Me envolveu nas águas

    Sem saber

    Que eu só sabia ser

    Da terra

     

    Agora eu sou do mar

    Não há parede pra se esconder

    Eu vejo a lua de qualquer lugar

    Já sei nadar

    E não sou nada

     

    Há quem pense que caí

    Eu pousei a nave na água

    Pra navegar

     

     

    22/04/06

    July 24

    Pequena Baleia

    Quando o próximo elefante passar

    Vai encobrir o sol das 4 horas

    Que bate certo na fresta do sótão

    E ilumina o pé de comigo-ninguém-pode

    Ao lado do aquário da pequena baleia

    Presente que o correio deixou por engano

    Mas nunca reclamaram!

    E olha que só mudamos de casa depois do almoço

    Pra viver no campo

    Sem os jogadores, é claro

    Só com o juiz e os bandeirinhas

    Brincadeira!

    A família busca sossego e paz interior

    Moro só

    A lanterna acende à vela

    Feito barco a motor

    No trenó, Papai Noel de shopping center faz ho, ho, ho

    E é tudo muito caro

    Vou andar nu

    Senão amarrota

    E ninguém vai passar

    Nem o próximo elefante

    Que insulto!

    Sai, sai daqui!

    Meu amor...

    July 06

    Camisa 1

            É curioso como não encontramos, nas lojas, camisas 1 disponíveis, principalmente se buscarmos os tamanhos infantis. Se houvesse procura, haveria oferta. Nenhum pai quer dar ao filho uma camisa de goleiro, ou mesmo outras de numeração baixa. Está arraigada em nós a idéia de gol, de fulminar o adversário, de crescer com a derrota do outro, mesmo que com respeito.
            Quem nunca sonhou em defender as cores de seu time ou de seu país? Poucos não o fizeram. E a palavra é essa: defender. Isto sim, enaltece o brio.
            Sou goleiro.
    July 05

    Santo de Casa

    Caiu uma trova na prova
    sem forro e sem cueca
    TUDO LIVRE
    Os bares não vendem leite-de-soja
    os lençóis não deixam a gente virar colchão
    entranhados em pântanos
    enforcados em fios elétricos
     
    Brincar de esconde-esconde e nunca voltar
    Levar a sério
     
    Falo que me cala a dor
    canto que, no meio, não vou
    Por trás do silêncio, a verdade
    mas pra ti, não dou
     
    Ouvi outra música dentro do refrão
    os carros são motéis que andam
    juízo é o que falta pras leis
    Já acordei de sonho bom
    e os problemas não deixam dormir
    a íris é de uma cor
     
    Não vem pintar aqui
    que eu não bordo mais
    Eu me assusto, sim
    porque o oposto, o contrário e o inverso são todos iguais
     
    Falo que me cala a dor
    calos da cabeça aos pés
    galos dos pés à cabeça
    desfilar sobre o revés
     
    Estampado na face
    um pano branco
    Ela se desfaz liquefeita
    da imagem de barro
    sorri e oferece a maçã
    July 04

    Acordar à noite

    Conhecer ninguém

    Desbotar as cores

    Calçar trilhos em trens

     

    Acordar com o vento

    As palavras vão

    Ouvem em resposta

    Silêncio e solidão

     

    Sem companhia

    O escuro me zomba

    Sonho com luz

    À espera de sombras

    Que serão

    Espelhos opacos no chão

     

     

     

     

    09/05/05